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Força para corredores: o que a ciência mostra sobre economia de corrida e lesões

Muito corredor ainda trata a musculação como opcional, ou como algo que "deixa pesado". A Dica da Semana mostrou que correr e fortalecer podem se complementar. Aqui, aprofundamos o que os estudos medem, quais métodos de força funcionaram melhor e onde a evidência ainda é fraca.

O que é economia de corrida

Economia de corrida é a energia que você gasta para manter uma velocidade abaixo do seu máximo. Dois corredores com o mesmo condicionamento aeróbico podem gastar quantidades diferentes de energia no mesmo ritmo; quem gasta menos tende a sustentar esse ritmo com mais folga. Por isso, ela é considerada um dos determinantes do desempenho em provas de média e longa distância [1].

O que os estudos mostram

A revisão citada na Dica reuniu estudos com 652 corredores de média e longa distância, de moderadamente a altamente treinados, com programas de força de 6 a 24 semanas e de uma a quatro sessões semanais [1]. Em comparação com quem só corria:

  • treino com cargas altas (80% ou mais da carga máxima) melhorou a economia com efeito pequeno, mais evidente em velocidades maiores e em corredores com VO2máx mais alto;
  • treino pliométrico (saltos) melhorou a economia em velocidades de até 12 km/h, também com efeito pequeno;
  • a combinação de métodos teve efeito moderado, mas com certeza de evidência baixa;
  • cargas submáximas e exercícios isométricos não melhoraram a economia [1].

Outras revisões vão na mesma direção. Em corredores de alto nível, programas de 8 a 12 semanas, duas a três vezes por semana, com exercícios resistidos e saltos, tiveram efeito grande sobre a economia, num conjunto pequeno de cinco estudos [2]. Uma revisão sistemática com 24 estudos encontrou melhoras de 2% a 8% na economia e tendência de melhora em provas de 1,5 a 10 km, sem prejuízo da composição corporal, mas os resultados não foram iguais em todos os trabalhos [3]. Ou seja: o medo de "ganhar peso e ficar lento" não encontra apoio nesses estudos.

E as lesões?

Aqui é preciso cuidado, como a Dica alertou: melhorar a economia não equivale a prevenir lesões. Uma meta-análise de 25 ensaios clínicos em diversos esportes mostrou que programas de força reduziram as lesões esportivas para menos de um terço, enquanto o alongamento não teve efeito [4]. Mas esses estudos não eram específicos de corredores.

Na corrida, o resultado é menos animador. Num ensaio com 720 pessoas que iam correr a primeira maratona, um programa de 10 minutos, três vezes por semana, feito sozinho com instruções por vídeo, não reduziu as lesões por sobrecarga que impediram a conclusão da prova: 7,1% no grupo da força e 7,3% no grupo de observação [5]. Um programa curto, genérico e sem acompanhamento pode ser pouco para mudar o risco; o que funciona para prevenir lesões em corredores ainda precisa de mais pesquisa.

Como colocar a força no seu treino de corrida

O que os estudos testaram dá a base para montar o programa:

  • Frequência e duração: de uma a quatro sessões semanais, por 6 a 24 semanas [1]; em corredores de alto nível, duas a três por semana, por 8 a 12 semanas [2].
  • Método: cargas altas (80% ou mais da carga máxima) e saltos melhoraram a economia; cargas submáximas e isometria, isoladamente, não [1].
  • Volume: programas com 2 a 4 exercícios para membros inferiores, até 200 saltos e 5 a 10 tiros curtos por sessão já tiveram efeito [2].
  • Composição corporal: não piorou com o treino de força [3].
  • Lesões: com dor ou voltando de lesão, a avaliação vem antes, porque a prevenção de lesões por treino de força em corredores ainda não foi demonstrada [5].

Quando procurar avaliação

Vale procurar uma avaliação quando você quer saber quais músculos estão mais fracos e precisam ser fortalecidos (avaliação biomecânica), se sente dor recorrente ao correr, se já teve lesões repetidas no mesmo lugar, ou se quer montar um programa de força adequado à sua experiência e às suas provas. Na Moving, a avaliação é individual e acontece dentro da Bodytech do Setor Marista, em Goiânia.

Referências

  1. Llanos-Lagos C, Ramirez-Campillo R, Moran J, Sáez de Villarreal E. Effect of strength training programs in middle- and long-distance runners' economy at different running speeds: a systematic review with meta-analysis. Sports Med. 2024;54(4):895-932. https://doi.org/10.1007/s40279-023-01978-y
  2. Balsalobre-Fernández C, Santos-Concejero J, Grivas GV. Effects of strength training on running economy in highly trained runners: a systematic review with meta-analysis of controlled trials. J Strength Cond Res. 2016;30(8):2361-2368. https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000001316
  3. Blagrove RC, Howatson G, Hayes PR. Effects of strength training on the physiological determinants of middle- and long-distance running performance: a systematic review. Sports Med. 2018;48(5):1117-1149. https://doi.org/10.1007/s40279-017-0835-7
  4. Lauersen JB, Bertelsen DM, Andersen LB. The effectiveness of exercise interventions to prevent sports injuries: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. Br J Sports Med. 2014;48(11):871-877. https://doi.org/10.1136/bjsports-2013-092538
  5. Toresdahl BG, McElheny K, Metzl J, et al. A randomized study of a strength training program to prevent injuries in runners of the New York City Marathon. Sports Health. 2020;12(1):74-79. https://doi.org/10.1177/1941738119877180

Revisão técnica: Thiago Vilela Lemos, PhD, fisioterapeuta e profissional de Educação Física. CREFITO 19-72036.

Conteúdo informativo; não substitui avaliação individual.

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